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terça-feira, 21 de junho de 2011

A insustentabilidade do atual modelo econômico

Posted on  by hayrton

Palestrando em um evento da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), em São Paulo, o ex-ministro do Meio Ambiente do México, Víctor Lichtinger, reconheceu que o momento vivido pela humanidade parece se tratar de uma era geológica, já que o século 21 tem apresentado uma série de novos desafios de extrema complexidade para a humanidade, a rede global de relacionamentos, as inovações tecnológicas, as crises financeiras e a gravidade de seus impactos econômicos, bem como importantes questões sociais e ambientais têm evidenciado que o atual modelo de desenvolvimento econômico não é sustentável. Em uma sociedade fundamentada na cultura de consumo e no crescimento exponencial do uso dos recursos naturais, o foco dos esforços para o desenvolvimento sustentável, hoje em dia, tem sido a remediação gradativa dos sintomas e não a solução de suas causas fundamentais.
“A gente pode citar a civilização Maia que desapareceu por problemas de falta de recursos materiais. A civilização maia atingiu seu ápice durante o chamado período Clássico (250-950). No auge, em 750, a população talvez tenha ultrapassado 13 milhões. Porém, pouco tempo depois, entre 750 e 950, houve rápido declínio. Centros urbanos densamente povoados foram abandonados, e seus impressionantes edifícios viraram ruínas. A extinção dessa civilização é um dos grandes mistérios antropológicos dos tempos modernos. O que teria acontecido? Parece que a sociedade está sempre exaurindo os recursos terrestres e mesmo com a tecnologia não se consegue de forma rápida e suficiente suprir para resolver os problemas. As mais variadas hipóteses para explicar esse declínio: guerras internas, invasão estrangeira, surtos de doenças, dependência da monocultura, degradação ambiental e mudanças climáticas. É provável que a explicação verdadeira seja combinação destes e de outros fatores. Entretanto, nos últimos anos, acumularam-se os indícios de anomalias climáticas perto do fim do período clássico, o que dá crédito à ideia de que intensas secas tiveram papel preponderante na queda desta civilização antiga”.
Ele afirmou que vem acompanhando todo o processo de busca pela sustentabilidade pela sociedade mundial. “Governos, empresas, organizações não governamentais, etc. vêm fazendo um esforço para aumentar a conscientização pela preservação do meio ambiente. Acredito que os avanços foram muitos, mas ainda muita coisa precisa ser feita para que os seres humanos possam usar os recursos que existem de forma a prejudicar o menos possível o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas e toda a biosfera que dele dependem para existir. Pode parecer um conceito difícil de ser implementado e, em muitos casos, economicamente inviável. No entanto, não é bem assim. Mesmo nas atividades humanas altamente impactantes no meio ambiente como a mineração; a extração vegetal, a agricultura em larga escala; a fabricação de papel e celulose e todas as outras; a aplicação de práticas sustentáveis nesses empreendimentos; revelou-se economicamente viável e em muitos deles trouxe um fôlego financeiro extra”.
Para ele, as ideias de projetos empresariais que atendam aos parâmetros de sustentabilidade, começaram a multiplicar-se e a espalhar-se por vários lugares antes degradados do planeta. Muitas comunidades que antes viviam sofrendo com doenças de todo tipo; provocadas por indústrias poluidoras instaladas em suas vizinhanças viram sua qualidade de vida ser gradativamente recuperada e melhorada ao longo do desenvolvimento desses projetos sustentáveis. “Da mesma forma, áreas que antes eram consideradas meramente extrativistas e que estavam condenadas ao extermínio por práticas predatórias, hoje tem uma grande chance de se recuperarem após a adoção de projetos de exploração com fundamentos sólidos na sustentabilidade e na viabilidade de uma exploração não predatória dos recursos disponíveis. Da mesma forma, cuidando para que o envolvimento das comunidades viventes nessas regiões seja total e que elas ganhem algo com isso; todos ganham e cuidam para que os projetos atinjam o sucesso esperado”.
Lichtinger acha que a exploração e a extração de recursos com mais eficiência e com a garantia da possibilidade de recuperação das áreas degradadas é a chave para que a sustentabilidade seja uma prática exitosa e aplicada com muito mais freqüência aos grandes empreendimentos. Preencher as necessidades humanas de recursos naturais e garantir a continuidade da biodiversidade local; além de manter, ou melhorar, a qualidade de vida das comunidades inclusas na área de extração desses recursos é um desafio permanente que deve ser vencido dia a dia. A seriedade e o acompanhamento das autoridades e entidades ambientais, bem como assegurar instrumentos fiscalizatórios e punitivos eficientes, darão ao conceito de sustentabilidade uma forma e um poder agregador de idéias e formador de opiniões ainda muito maior do que já existe nos dias atuais. “As previsões do passado eram pessimistas e agora, no momento atual com um mundo globalizado com a população chegando aos 7 milhões de habitantes, essas previsões são muito piores. As temperaturas terrestres iriam subir 1 grau centigrado e já subiu nos últimos anos muito mais. Estamos caminhando para o caos mais rápidos do que imaginávamos. O aquecimento global estão impactando todos os países. No México, por exemplo, os impactos na agricultura estão sendo catastróficos”.
Ele diz ainda que a redução da água no Planeta é real e está influenciando muito as relações entre os países. “No norte do México, na fronteira com os Estados Unidos, já existem disputas pela água. Hoje, o México tem quase 60% de toda a terra estão lesionadas em um grau bastante avançado. Perdemos terras férteis nos últimos anos de uma forma avassaladora”.
A região do Norte do México, limítrofe com os Estados Unidos, somou aos problemas do narcotráfico, da violência e da migração um novo desafio: a escassez de água. Devido a uma seca de oito anos, a região acumulou uma dívida de 1700 metros cúbicos de água com os Estados Unidos e deve investir cerca de US$ 1,522 bilhão nos próximos cinco anos para evitar dificuldades de abastecimento, tanto nas cidades quanto no campo. As autoridades advertem que os problemas se agravarão se a água não for administrada de maneira mais eficiente nas áreas rurais da fronteira, cujo consumo equivale a 80% do total disponível na região.
Grande parte da água usada pelos mexicanos procede dos rios Colorado e Bravo, ambos fronteiriços, cujas águas são divididas entre os dois países, segundo um tratado de 1994. Alguns ambientalistas acreditam que esse instrumento é injusto e deve ser revisto, mas outros o consideram benéfico para o México. Os problemas de manejo da água na região limítrofe permaneceram ocultos até 1992, pois o fornecimento se manteve na média de 5,1 bilhões de metros cúbicos, suficiente para não causar preocupação. Quando a média baixou para 2,3 bilhões de metros cúbico, as faltas emergiram e os agricultores exigem mais e mais água, um recurso que, ao contrário de seus vizinhos dos Estados Unidos, exploram sem muito cuidado.
E o que fazer para remediar tudo isso. “Não há no momento uma estratégia mundial clara como vamos solucionar tudo isso. O que se sabe é que estamos enfermos e precisamos fazer alguma coisa. Não há dinheiro para investir e corrigir os erros do passado. Assim, os países mais pobres e suas populações vão sofrer os impactos. Calcula-se em mais de 1 milhão de pessoas que vão sofrer com isso. Um contingente expressivo de gente. O problema é que os países precisam crescer e não querem diminuir a sua busca de recursos. Somente para atender ao consumo da população chinesa seria necessários três planetas como a Terra. Quem vai perder, quem vai ganhar nesse processo de impactos ambientais será muito difícil de prever. Assim, cada país está sozinho para tentar resolver os problemas ambientais. Não há uma estratégia mundial para solucionar isso. E a civilização humana irá sofrer as consequências. As mudanças geológicas no passado eram mais lentas, como a glaciação, os dinossauros… eram ciclos bastante naturais. Mas, agora, esse ciclo acarretado pelo homem está sendo muito rápido e a inércia dos governos, das empresas, etc. está afetando tudo e os impactos da atividade humana serão muito complicados”.
Segundo ele, não há incentivos para a replicação das boas atitudes de empresas com o meio ambiente. Por isso, essa atividade de pessoas, de poucas empresas, etc. acabam não dando resultados visíveis. “Por que eu vou fazer alguma coisa se o outro país não está fazendo nada? Por que eu vou diminuir a minha produção de gases de efeito estufa se a China não diminui nada. E assim vão se passando os anos e nada acontece. Na verdade, não temos tecnologia limpa e clara para substituir o atual modelo de produção, sobretudo em termos de energia. A tecnologia atual não leva em conta o termo ambiental. Não se diminui a carga tributária se houver a diminuição dos impactos. O termo meio ambiente não faz parte das estratégias dos governos. Isso é lamentável. Eles falam muito sobre o tema, mas fazem muito pouco. E isso também inclui a maioria das empresas e das pessoas”.
Dessa forma, os que buscam a sustentabilidade em suas atividades não são premiados e apenas cumprem, muitas vezes, as leis não havendo nenhum incentivo para o aumento dessa participação. “O mercado funciona com o menor preço e para diminuir, por exemplo, o uso de substâncias em automóveis, eletroeletrônicos, etc., há que se investir e isso custa mais caro. Os governos não querem saber de diminuir suas taxas e as políticas públicas são as mesmas do passado, sem levar em conta a sustentabilidade. Algumas empresas querem ser as primeiras a usar os recursos naturais. Empresas europeias chegam em praias do Caribe ou do Brasil e implantam hotéis de luxo da forma menos sustentáveis possível, sem grandes investimentos, e depois de 20 anos o lugar fica abandonada, sem recursos ambientais. E mudam para outro lugar. E isso é feito na pesca, na mineração, na selva etc. É um modelo que não vai levar a Terra a lugar nenhum. Apenas à destruição”.
Sem uma preocupação de todos com o meio ambiente, o que irá rrepresentar uma nova abordagem ao se buscar lucro e fazer negócios, em que são consideradas iniciativas como a otimização do uso de recursos naturais e a redução dos impactos ao meio ambiente, bem como a inclusão social e o respeito à diversidade cultural e aos interesses dos envolvidos em sua totalidade. Em linhas gerais, para ser sustentável do ponto de vista empresarial, a instituição deve adotar um conjunto de práticas que demonstrem preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que as mesmas estão inseridas – e também onde atuam, ainda que de forma indireta.
Seguindo esses princípios básicos, a sustentabilidade empresarial promove não só melhorias para os consumidores como também para aqueles que trabalham na empresa, já que esse empresário costuma aplicar entre seus funcionários a mesma política social engajada em que se baseia para operar no mercado. Isso sem contar os reflexos positivos que os benefícios dessa postura politicamente correta trazem à imagem da corporação: aumentam a confiança e a fidelidade dos consumidores conscientes – que zelam e apóiam práticas ecologicamente corretas – à marca e aos produtos provenientes dessa instituição.
“Sem isso, até a democracia dos países está em xeque. Qual país irá suportar que uma cidade como São Paulo fique em água ou energia elétrica durante dez dias? Como a comunidade internacional irá resolver os conflitos entre nações por recursos naturais? Qual será o papel das empresas privadas na busca de diminuir seus impactos? Como fazer com que as mudanças tecnológicas possam realmente resolver os problemas? São muitas as perguntas a serem respondidas e a frase de Nietzche resume muito bem toda essa problemática: somente os que constroem o futuro têm o direito de julgar o passado.”
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